Os textos deste blog não seguem nenhuma motivação ideológica, e não têm compromissos com sentido nem coesão textual.


sexta-feira, 4 de março de 2011

Fôlego

Despido das falsas vestes
me encontro só.

Hoje é o dia de acordar
E fazer a decisão, construí-la
E não mais a nega-la
Não mais desconfiar

Quem é deus que me garante?
Qual é a força suprema e divina que me permite
além da própria vontade?
O Fôlego.

Foi o próprio absurdo que atestou tal mandato:
"Viva e não questione:
É isto o que é."

terça-feira, 16 de março de 2010

eu gostaria de ser uma fumaça

minha vida resume-se a instâncias mentais. tais instancias se solidificam em uma rasa vida prática. a minha existência é baseada em conceitos mentais. em vícios psicológicos que ditam os conflitos entre minha vontade e o que eu faço. os hábitos me aprisionam em gestos que em grande maioria se dão em circunstâncias efêmeras. nada contra a efemeridade das circunstancias, mas sim contra o fato de me estragarem apenas razoávelmente.

a instabilidade psicológica resulta em instabilidade pragmática. quando não penso, eu ajo. e quando pondero, não consigo. assim não-feito, escondo-me de mim mesmo em vergonha. a mente que idealiza, muitas vezes parece ser a mesma que impede, e me censura.

essas pequenas manias: o reservar-se, o mantêr-se, o procrastinar, medo; são o que constituem as impossibilidades de um eu que não quer existir sozinho. são construções que de admirável só a capacidade de enganar.

não se enganem com a fumaça. ela não pede licensa, tem forma regida pelo puro caos, tem cheiro, gosto. existe, e suas características são inerentes... não tem impedimentos em ser o que ela é. acho que as cordialidades são muito vãs

terça-feira, 10 de novembro de 2009

terminal:
meus parasitas

é no som em que busco o fim de minhas tormentas infindáveis, imparáveis
tormentas que não deveriam existir, mas que existem, e persistem
com uma persistência que eu não tenho
não tenho para acabar com a dor, dor insignificante
dor chula, dor sem sentido
que não deveria existir.
a dor de sórdidos e miseráveis fracassos
que se utilizam do meu sono como energia para subsistir
apenas para subsistir
como um parasita, eles são mais vivos do que eu.

como podem? tão insignicantes tormentos, mas tão ousados, mais ousados que eu
aproveitar desta energia suada, que eu como, que eu tomo
do sol, o sol. eles não são parasitas de mim, mas do sol
neste lento sugamento, me inquietam ao me tornar quieto,
me torturam ao me tornar apático,
me mantem acordado, pernóstico ao som do silencioso tédio que me toma

tais parasitas ousados e inorganicos, são parte de mim
talvez eu os criei para viver no tédio,
eu os criei, para que sejam minha imagem e semelhança
eu, um parasita no universo, que infelizmente não se adequa
e não se adequando se torna um humano
que não se adequa, que modifica, que constroi, que edifica edificios de concreto
não de paus ou folhas.. aliás, já um dia foi de paus ou folhas, mas foi porque faltavam artificios

meus parasitas são eus em miniatura.